segunda-feira, 27 de março de 2017

Convite para a REUNIÃO DE SAÚDE INTEGRAL 27 de março às 19,30 horas


Convite para a Reunião de Saúde integral sobre a Babosa (Aloe vera), Moringa, Graviola, Moringa e o Mineral Cloreto de Magnésio...

27 de Março de 2017, Segunda Feira, às 19,30 horas, no Salão da Igreja São Francisco, Rua Miguel Rachid, 997, Ermelino Matarazo, 2546.4254.

 

  • Nesta reunião teremos a presença do Engo. Agrônomo Dr. Paulo Sato e Lideranças das Periferias que defendem a MEDICINAL POPULAR PELAS PLANTAS E ALIMENTOS NUTRITIVOS E MEDICINAIS...

  • Uma grande parte da população das Perigerias tem a PLANTAS TRADICIONAIS DE REMÉDIOS CASEIROS. Venha debater...

  • Você vai beber o CHÁDA MORINGA OLEÍFERA...

     

  1. Na vida tem que ter equilíbrio em tudo. Quem está começando vai dando pequenos passos... Tudo que é demais em QUANTIDADE, altera a QUALIDADE. Hoje, é muito importante PESQUISAR NA INTERNET o que dizem os Médicos, Nutrólogos, Biólogos e Estudiosos das PLANTAS MEDICINAIS... Indico duas pessoas que tem inúmeros Vídeos na internet: 1)= O terapeuta e estudioso da Medicina Chinesa: Armando Falconi. 2)= O Médico cardilogista e Nutrólogo: Dr. Lair Ribeiro. E vejam mais: que tem inúmeros estudos da Medicina natural e tradicional...

  2. Na vida teremos SAÚDE DE QUALIDADE dependendo de uma PRÁTICA GLOBAL DE EQUILIBRIO Alimentar, Meio Ambiente, Trabalho, Lazer, Cultura, Educação, Salário, Transporte, etc... "Prática Holística"....  Exemplo: Um peixe num aquário de água suja vai morrer bem depressa... Se for aquário com Coca cola o peixe morre na hora. *** Por quê quem reside na Cidade Tiradentes vive 25 anos menos do que quem reside em Pinheiros???  Por que 40% dos Jovens do Itaim Bibi estão em UNIVERSIDADES (Maioria Pública) e os jovens do Itaim Paulista tem 3% em Universidades (Maioria Particular). O que mais???

  3. RECEITA DE BABOSA CONTRA O CÂNCER:A babosa, também conhecida como aloe, é rica em nutrientes, como lignina, saponinas, minerais, cálcio, potássio, magnésio, zinco, sódio, cromo, cobre, cloro, ferro, manganês, betacaroteno (pró-vitamina A), vitaminas B6 (piridoxina), B1 (tiamina), B2 (riboflavina), B3, E (alfa tocoferol), C (ácido ascórbico), ácido fólico e colina.  Essa riqueza de nutrientes é que confere à babosa um enorme poder de cura, sobretudo em doenças imunológicas, como câncer. Além disso, ela cura e previne quase todas as doenças, pois renova todo o sistema imunológico.

  4. *** Também é indicada para diabéticos, uma vez que equilibra a glicose e pode até curar tal doença.  *** A babosa também é indicada para os doentes de aids, pois fortalece o organismo.

  5. * RECEITA DE FREI ROMANO ZAGO. Esta receita contra o câncer foi divulgada por Frei Romano Zago. Para fazê-la, o melhor tipo de babosa é a Aloe arborescens, que é mais fina e contém pouco gel, tendo em vista que mais de 90% das propriedades medicinais da babosa estão na casca.
    Você também pode usar a Aloe barbadensis, mas retire 80% do gel antes do preparo.

  6. * Antes de colher a babosa, observe o seguinte: O pé da babosa deve estar plantado de 3 a 5 anos no mesmo local, pois nessa condição ela estará bem forte, com seus princípios ativos em melhores condições para a cura sobretudo do câncer.  Colha a babosa quando não estiver chovendo no mínimo há três dias, pois a terra muito úmida e o contato da babosa com a água fazem com que ela estrague mais rápido. Se isso não for possível, faça a receita e conserve-a na geladeira.
    Colha a babosa preferencialmente à noite, ou pela manhã bem cedo, antes de o sol nascer, pois ela não deve entrar em contato direto com a luz do sol nem com luzes artificiais.  Ao manipular a babosa, passe apenas um pano úmido para limpá-la e retire os espinhos com o auxílio de uma faca. Não acenda a luz do local onde for prepará-la. Acenda a luz de um cômodo próximo ou use vela.  No período em que a babosa estiver florescendo, não a utilize, pois ela estará com seus princípios ativos alterados, uma vez que precisa alimentar as flores.

  7. * Como fazer.  * 400 g de babosa  * 500 g de mel de abelha puro. * Uma dose de bebida destilada (conhaque, aguardente, uísque). Coloque todos os ingredientes no liquidificador e processe bem por cinco minutos. Não precisa corar. Coloque em uma garrafa escura e guarde na geladeira.   Dosagem * Antes de tomar, agite bem a garrafa.  Tome duas colheres de sopa em jejum, assim que acordar pela manhã; duas colheres de sopa 10 minutos antes do almoço e duas colheres de sopa antes do jantar ou antes de dormir.

  8. OBSERVAÇÕES * Pode aparecer abscessos ou espinhas no corpo, pois a babosa purifica o sangue.  É normal ocorrer uma pequena disenteria, pois a babosa regula as funções intestinais. Isso não faz mal. Nesse caso, basta comer banana-prata.  Quem sofre de câncer pode repetir esta receita quantas vezes achar necessário ou até que a doença desapareça.  Quem não sofre de câncer deve dar uma pausa de trinta dias entre uma receita e outra.  Se o mel for puro, não fará mal aos diabéticos. Mas, se tiver receio, retire-o da receita. Tome pura e em seguida beba suco de fruta para retirar o gosto amargo da babosa.  A bebida destilada é importante para a conservação da receita, mas pode ser retirada ou substituída por álcool de cereais.

  9. *** Frei Romão escreveu um livro sobre o assunto Cancer Tem Cura - Frei Romano Zago - Editora Vozes.

  10. Usos positivos da Babosa (Aloe vera) (PESQUISAR) https://melhorcomsaude.com/wp-content/themes/mcs-deploy/images/loading.gifUm dos usos mais especiais deste produto natural é o cuidado com a pele, seja por queimaduras ou no tratamento de cicatrizes, em função de seu gel que acelera notoriamente o processo de cicatrização, melhorando a circulação do sangue em volta da ferida.

  11. Alivia os problemas bucais. A polpa da babosa permite aliviar feridas, gengivite e estomatites de modo simples: apenas triturar esta parte e colocar na boca. Você deve se certificar que está em contato com a ferida.

  12. Ajuda a evitar a acne. Graças ao fato da babosa ter propriedades anti-inflamatórias é um bom remédio contra a acne. Procure sabão, creme e loções que contenham babosa (ou Aloe Vera) e use durante a manhã e a noite, isso servirá não apenas para as espinhas, mas também para controlar a oleosidade que se acumula em seu rosto. Igualmente, você pode usar um gel de aloe vera sobre as espinhas para diminuir o inchaço.

  13. É benéfica para os cabelos. Igual a pele, a babosa atua no cabelo como protetor solar, cuidando do couro cabeludo contra os raios UV, igualmente os protege contra os danos cotidianos como o clima seco, o vento, a chuva, a secura, a oleosidade, tornando os cabelos mais brilhantes e sedosos.

  14. Babosa ajuda a eliminar as caspas. Ao lavar seu cabelo com Aloe Vera a caspa de desprende da pele, de tal maneira que é necessário apenas que você escove o cabelo para eliminar a caspa em sua totalidade. Repetir algumas vezes e verá que o resultado é significativo.

  15. Serve para reduzir o peso. Por ser uma planta com propriedades depurativas, a babosa é uma boa aliada para emagrecer. Ao misturá-la com limão obteremos a propriedade depurativa junto às propriedades desintoxicantes. Por isso, recomenda-se muito um suco com os mencionados ingredientes da seguinte forma: *** 1 folha média de babosa, em pedaços com as espinhas já retiradas. *** 1 colher de mel*** Suco de um limão.

  16. Bater no liquidificador e coá-lo, tomar assim que levantar para dar tempo de fazer a digestão antes do café da manhã, para melhorar os efeitos, procure ter uma dieta saudável e uma rotina de exercícios físicos por, ao menos, três dias na semana. 

  17. Quem tem BABOSA (Aloe vera) que faça mudas da BABOSA para distribuir gratuitamente. E leve na reunião do dia 27 de Março. Pode entregar na Igreja São Francisco ou na Casa da Terceira Idade.

  18. Quem quiser as SEMENTES GRATUITAS DA PLANTA MORINGA OLEÍFERA pode retirar na Igreja São Francisco, Rua Miguel Rachid, 997, Ermelino Matarazzo, 2546.4254. Venha na reunião sobre MORINGA E BABOSA dia 27 de Março, às 19,30 horas.

  19. Não deixe de assistir o Vídeo do Globo Repórter sobre a fruta da GRAVIOLA. Muito interessante o uso medicinal da GRAVIOLA diante do Câncer. Coloque no Google:  Vídeo do globo repórter sobre a GRAVILOLA.

 

sexta-feira, 24 de março de 2017

Ministro do TST critica projeto aprovado em plenário sobre terceirização

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Mauricio Godinho Delgado afirmou que a proposta não traz uma única garantia para os trabalhadores.


O ministro do Tribunal Superior do Trabalho Mauricio Godinho Delgado criticou o projeto que permite o uso de trabalhadores terceirizados em todas as áreas das empresas (PL 4302/98), ao deixar audiência pública na comissão da reforma trabalhista da Câmara (nesta quinta-feira). A proposta foi aprovada (nesta quarta-feira (22)) pelo Plenário e vai à sanção presidencial. O ministro acredita que a proposta é unilateral, beneficiando apenas as empresas:

"Ela não traz uma única garantia para os trabalhadores. A única garantia que ela traz é a que já existe: a responsabilidade subsidiária da empresa tomadora de serviço. Ao reverso disso, ela amplia a terceirização para todas as situações. Isso significa o seguinte: a médio e longo prazo, no Brasil, nós não teremos mais bancários, salvo alguns trabalhadores estratégicos, todos serão terceirizados. Nós não teremos mais médicos; nós teremos médicos terceirizados."

Durante o debate na comissão, deputados da oposição também criticaram a aprovação pela Câmara do projeto de terceirização do trabalho, assim como o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, Carlos Fernando da Silva Filho.

"É prejuízo e é precarização. E não é solução para os 13 milhões de trabalhadores que hoje são terceirizados. Não, porque o projeto não estabelece igualdade de direitos. Esse projeto vai legalizar o que é ilegal."

Já o desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região João Bosco Pinto Lara alertou que pode haver sobreposição e choque entre o projeto da terceirização e a proposta de reforma trabalhista proposta pelo governo.

Na audiência, a reforma trabalhista recebeu avaliações diferentes de representantes da Justiça do Trabalho. O ministro do TST Maurinho Godinho criticou a possibilidade, prevista no texto, de que negociações coletivas prevaleçam sobre a legislação. Para ele, isso poderá significar a retirada de direitos dos trabalhadores.

Já o desembargador João Bosco elogiou justamente esse ponto e disse que a reforma trabalhista é essencial para que o País volte a crescer.

"Essa reforma retira direitos trabalhistas. Eu pergunto: onde? De quem? Não retira. Os direitos trabalhistas fundamentais estão enumerados um a um no artigo 7º da Constituição Federal. E um entrave que eu não tenho dúvida é nossa legislação trabalhista retrógada."

Já o desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região José Maria de Alencar acredita que a reforma "é desnecessária ou não vingará". Na opinião dele, a legislação atual regula muito bem o mercado industrial, e é necessário apenas fazer nova legislação para incentivar "empresas modernas que pratiquem responsabilidade socioambiental".

A proposta de reforma trabalhista recebeu mais de 840 emendas, que estão sendo analisadas pelo relator, deputado Rogério Marinho, do PSDB do Rio Grande do Norte. Ele deverá apresentar relatório sobre a proposta até 13 de abril.

Reportagem - Lara Haje

quinta-feira, 23 de março de 2017

Em nota, CNBB diz que reforma da Previdência 'escolhe o caminho da exclusão'


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O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota nesta quinta-feira, 23, para manifestar "apreensão" com relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, que trata da reforma da Previdência. "Buscando diminuir gastos previdenciários, a PEC 287/2016 'soluciona o problema', excluindo da proteção social os que têm direito a benefícios. Ao propor uma idade única de 65 anos para homens e mulheres, do campo ou da cidade; ao acabar com a aposentadoria especial para trabalhadores rurais; ao comprometer a assistência aos segurados especiais (indígenas, quilombolas, pescadores...); ao reduzir o valor da pensão para viúvas ou viúvos; ao desvincular o salário mínimo como referência para o pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC), a PEC 287/2016 escolhe o caminho da exclusão", diz a nota do conselho que esteve reunido em Brasília desde a última terça-feira.

A coluna do Estadão noticiou nesta quinta-feira que políticos do Nordeste teriam relatado ao presidente Michel Temer que muitos padres estão pregando contra a reforma da previdência nas missas. Diante dos relatos, Temer estaria disposto a procurar a CNBB para defender a reforma.

Na nota, a CNBB concorda que o sistema da previdência precisa ser avaliado e, se necessário, posteriormente, adequado à seguridade social. No entanto, a entidade afirma que os números do governo federal que apresentam um déficit previdenciário são diversos dos números apresentados por outras instituições. "Não é possível encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias. É preciso conhecer a real situação da Previdência Social no Brasil", diz a entidade.

Segundo a CNBB, a PEC da reforma da previdência não considera a "opção inclusiva que preserva direitos". A entidade defende que seja feita uma auditoria na dívida pública, taxados os rendimentos das instituições financeiras, revisão da desoneração de exportação de commodities, identificação e cobrança dos devedores da Previdência. "Essas opções ajudariam a tornar realidade o Fundo de Reserva do Regime da Previdência Social - Emenda Constitucional 20/1998, que poderia provisionar recursos exclusivos para a Previdência."

Defende ainda a nota que o debate sobre a Previdência não fique restrito a uma "disputa ideológico-partidária, sujeito a influências de grupos dos mais diversos interesses". "Quando isso acontece, quem perde sempre é a verdade."

Ao final, a CNBB convoca uma mobilização em torno da atual reforma da previdência, "a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados".


Por: Dimitri Auad



Câmara aprova projeto de 1998 que libera terceirização ampla


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O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (22) projeto de 1998 que regulamenta a terceirização no país, liberando-a para ser usada em qualquer ramo de atividade das empresas privadas e de parte do setor público.

Hoje há o entendimento de que jurisprudência da Justiça do Trabalho veda a prática na chamada "atividade-fim". Ou seja, uma fábrica de sapatos não pode terceirizar nenhuma etapa de sua linha de produção, mas sim atividades não diretamente relacionas ao produto final, como o serviço de copa e cozinha, de segurança e de limpeza.

O painel eletrônico mostrou 231 votos a favor da medida, contra 188 votos e 8 abstenções. Os deputados rejeitaram quatro emendas, mantendo o texto do projeto na íntegra.

Agora, o texto vai à sanção do presidente Michel Temer, que é defensor da proposta.

A aprovação foi polêmica não só pelas críticas da oposição, para quem a medida representa um claro salvo-conduto para a precarização da mão de obra no país, mas também porque não houve o aval da maior parte dos atuais senadores.

No sistema legislativo brasileiro, as leis são feitas mediante a aprovação das duas casas que formam o Congresso, a Câmara e o Senado.

Sob a batuta do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje preso sob a acusação de envolvimento no petrolão, a Câmara aprovou a regulamentação da terceirização em 2015. Mas o texto tramitou lentamente no Senado, já que o ex-presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), dizia ver riscos ao trabalhador.

Com isso, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), recorreu a uma manobra, com o apoio da base de Michel Temer: desengavetou uma proposta similar de 1998, apresentada pelo governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Esse projeto havia sido aprovado no Senado em 2002, com relatório de Romero Jucá (PMDB-RR), hoje líder do governo no Senado. Só 12 dos atuais 81 senadores estavam no exercício do mandato na época. A oposição diz que recorreu ao Supremo Tribunal Federal contra a manobra.

O projeto que está no Senado também pode ser votado nos próximos dias. Com isso, Temer pode combinar a sanção e veto de trechos dos dois textos.

O projeto que agora vai à sanção de Temer traz bem menos salvaguardas para o trabalhador do que o debatido em 2015.

Desaparece, por exemplo, a obrigação de que a empresa que encomende trabalho terceirizado fiscalize regularmente se a firma que contratou está cumprindo obrigações trabalhistas e previdenciárias. Desaparecem também, restrições à chamada "pejotização", que é a mudança da contratação direta, com carteira assinada, pela contratação de um empregado nos moldes da contratação de uma empresa (pessoa jurídica) prestadora de serviços.

Ao defender o projeto de 1998, Maia afirmou "que muitas salvaguardas que foram criadas por bem têm gerado mais desemprego no Brasil e mais emprego no exterior".

Havia no atual projeto uma anistia a multas e penalidades aplicadas até agora pela Justiça Eleitoral, mas esse artigo foi retirado pelo relator, Laércio Oliveira (SD-SE).

Diante da crise política e econômica, o governo tenta aprovar uma série de reformas para recuperar a confiança na economia e tentar acelerar a retomada do crescimento. No ano passado conseguiu aprovar o congelamento dos gastos federais por 20 anos.

REGRAS

O objetivo principal do Congresso é permitir às empresas terceirizar qualquer ramo de sua atividade, incluindo a principal, a chamada atividade-fim.

O empresariado e parte da base governista diz que isso irá estimular a criação de empregos e tirar travas à competitividade das empresas.

Os críticos dizem que o objetivo é reduzir o gasto com pessoal, com prejuízo claro aos trabalhadores.

O texto também permite a terceirização no setor público, em funções que não sejam essenciais ao Estado. O que está no Senado veda essa possibilidade.

Além disso, o projeto estabelece que as empresas terão responsabilidade "subsidiária" em relação a débitos trabalhistas e previdenciários da terceirizadora, não "solidária". Ou seja, caberá ao trabalhador lesado buscar reparo primeiro na terceirizadora e só acionar a "empresa-mãe" caso não consiga sucesso na primeira demanda.

EMBATE

A sessão foi marcada por forte embate entre oposição o governo.

"Apontem um artigo que tira direito do trabalhador", repetiu em várias partes da sessão o relator, Laércio Oliveira (SD-SE). Segundo ele, as salvaguardas aos trabalhadores já estão asseguradas em diversas outras normas.

Ele foi apoiado por outros governistas.

"O que estamos fazendo aqui é regulamentar, é dar mais uma opção para que o trabalhador trabalhe com dignidade", disse Mauro Pereira (PMDB-RS). "O Brasil não pode mais se render a esse anacronismo ideológico", afirmou Marcus Pestana (PSDB-MG).

A oposição chegou a afirmar que Temer está pagando uma "fatura" pelo apoio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) ao impeachment de Dilma Rousseff. "Esse projeto é para pagar a conta do golpe, a conta da Fiesp", Disse Paulo Pimenta (PT-RS).

"Ou acaba esse golpe ou esse golpe vai acabar com o Brasil. Vão acabar o direito dos trabalhadores. O sonho deles é fazer como nos Estados Unidos, sempre foi. É pegar um trabalhador que passa fome, pagar uma hora de serviço e depois dispensar. É rasgar o direito dos trabalhadores, é rasgar a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho]", discursou Jorge Solla (PT-BA)."Esse é um governo lacaio do grande capital", reforçou Chico Alencar (PSOL-RJ).

Fonte: Jusbrasil


Por:  Alexandre Godwin, Advogado
Advogado e Professor. Seu direito é o meu trabalho.

Advogado Especialista em Direito Civil e em Direito Material e Processual do Trabalho. Professor da Unitá Educacional ( Proordem e Escola Superior de Direito) e da Pós-Graduação da Universidade de Araras.




quinta-feira, 2 de março de 2017

A grandeza de se colocar “nos sapatos dos outros”: “Muitas vezes somos escravos do nosso egoísmo.” Entrevista com o Papa Francisco



Publicamos abaixo a entrevista que o Santo Padre Francisco concedeu ao periódico Scarp de' tenis, publicação mensal de rua, projeto editorial e social apoiado pela Cáritas Ambrosiana e pela Cáritas Italiana. A entrevista foi realizada em preparação à visita do papa à diocese de Milão, programada para o dia 25 de março de 2017.

Isso já tinha acontecido com um jornal das villas miserias argentinas, Cárcova News, depois com um jornal de rua holandês de Utrecht, Straatnews. Mas não existe dois sem três. Em vista da próxima visita a Milão, que ocorrerá no sábado, 25 de março de 2017, Francisco concedeu uma longa entrevista a uma publicação mensal dos sem-teto milaneses. 

O Scarp de' tenis é um jornal, mas também um projeto social. Seus protagonistas são os moradores de rua e outras pessoas em situação de dificuldade pessoal ou que sofrem formas de exclusão social. O  pretende lhes dar uma ocupação e complementar a sua renda. Mas, em primeiro lugar, pretende acompanhá-los na reconquista da autoestima.

Capa do jornal de rua milanês Scarp de' tenis

Quem realizou a entrevista – tornada pública pelo escritório de imprensa da Diocese de Milão – foi o diretor Stefano Lampertico e Antonio Mininni, antes vendedor e depois histórico responsável pela redação de rua. 

A entrevista foi publicada no jornal L'Osservatore Romano, 28-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Santo Padre, falamos do povo dos invisíveis, dos moradores de rua. Algumas semanas atrás, no início do inverno [europeu] e com a chegada do grande frio, o senhor deu ordens para acolhê-los no Vaticano, para abrir as portas das igrejas. Como o seu apelo foi acolhido?

O apelo do papa foi ouvido por muitas pessoas e por muitas paróquias. Muitos o ouviram. No Vaticano, há duas paróquias, e cada uma delas hospedou uma família síria. Muitas paróquias de Roma abriram as portas para a acolhida, e eu sei que outras, não tendo lugar nas casas paroquiais, coletaram dinheiro para pagar o aluguel para pessoas e famílias necessitadas por um ano inteiro. O objetivo a ser alcançado deve ser o da integração. Por isso, é importante acompanhá-los por um período inicial. Em muitas partes da Itália, muito foi feito. As portas foram abertas em muitas escolas católicas, nos conventos, em tantas outras estruturas. Por isso, eu digo que o apelo foi ouvido. Sei também de muitas pessoas que ofertaram dinheiro para que se pudesse pagar o aluguel para as pessoas sem-teto.

No passado, o mundo inteiro escreveu sobre os sapatos do papa, sapatos de trabalhador e caminhante, e recentemente a mídia ficou surpresa e contou que o papa tinha ido até uma loja para comprar um par de sapatos novos. Por que tanta atenção? Talvez por que hoje é difícil se colocar – como o Scarp de' tenis convida a fazer – nos sapatos dos outros?

É muito difícil se colocar "nos sapatos dos outros", porque muitas vezes somos escravos do nosso egoísmo. Em um primeiro nível, podemos dizer que as pessoas preferem pensar nos próprios problemas, sem querer ver o sofrimento e as dificuldades do outro. Mas há outro nível. Colocar-se "nos sapatos dos outros" significa ter uma grande capacidade de compreensão, de entender o momento e as situações difíceis. Dou um exemplo: no momento do luto, dão-se as condolências, participa-se do velório ou da missa, mas são realmente poucos aqueles que "se colocam nos sapatos" daquele viúvo ou daquela viúva ou daquele órfão. Certamente, não é fácil. Sente-se dor, mas, depois, tudo termina ali. Se pensarmos, além disso, nas existências que muitas vezes são marcadas pela solidão, então colocar-se "nos sapatos dos outros" significa serviço, humildade, magnanimidade, que é também a expressão de uma necessidade. Eu preciso que além se coloque "nos meus sapatos". Porque todos precisamos de compreensão, de companhia e de alguns conselhos. Quantas vezes eu encontrei pessoas que, depois de ter buscado conforto em um cristão, seja ele leigo, padre, freira, bispo, me diz: "Sim, ele me ouviu, mas não me entendeu". Entender significa "colocar-se nos sapatos dos outros". E não é fácil. Muitas vezes, para suprir essa falta de grandeza, de riqueza e de humanidade, perde-se nas palavras. Fala-se. Aconselha-se. Mas, quando só há as palavras ou palavras demais, não há essa "grandeza" de se "colocar nos sapatos dos outros".

Santidade, quando o senhor encontra um sem-teto, qual é a primeira coisa que lhe diz?

"Bom dia." "Como vai?" Algumas vezes, trocamos poucas palavras, outras vezes entramos em relação e ouvimos histórias interessantes: "Estudei em um colégio, havia um padre muito bom...". Alguns poderiam dizer: "Mas o que me interessa?". As pessoas que vivem na rua entendem logo quando há o verdadeiro interesse por parte parte da outra pessoa ou quando há, não quero dizer aquele sentimento de compaixão, mas certamente de pena. Pode-se ver um sem-teto e olhá-lo como uma pessoa ou como se fosse um cachorro. E eles percebem esse modo diferente de olhar.

No Vaticano, é famosa a história de uma pessoa sem-teto, de origem polonesa, que geralmente ficava na Piazza Risorgimento, em Roma, não falava com ninguém, nem com os voluntários da Cáritas que, à noite, levavam-lhe uma refeição quente. Só depois de muito tempo é que conseguiram fazer com que ela contasse a sua história: "Sou padre, conheço bem o papa de vocês, estudamos juntos no seminário". A história chegou até São João Paulo II que, tendo ouvido o nome, confirmou que estivera com ele no seminário e quis encontrá-lo. Eles se abraçaram depois de 40 anos e, no fim de uma audiência, o papa pediu para ser confessado pelo sacerdote que tinha sido seu companheiro. "Agora, porém, é a sua vez", disse-lhe o papa. E o companheiro de seminário foi confessado pelo papa. Graças ao gesto de um voluntário, de uma refeição quente, de algumas palavras de conforto, de um olhar de bondade, essa pessoa pôde se reerguer e começar uma vida normal que o levou a se tornar capelão de um hospital. O papa o havia ajudado. Certamente, esse é um milagre, mas é também um exemplo para dizer que as pessoas sem-teto têm uma grande dignidade.

No arcebispado, em Buenos Aires, debaixo de uma marquise, entre as grades e a calçada, moravam uma família e um casal. Ali, eu os encontrava todas as manhãs quando saía. Eu os cumprimentava e trocava sempre duas palavras com eles. Nunca pensei em expulsá-los dali. Mas alguns me diziam: "Eles sujam a Cúria", mas a sujeira está dentro. Eu acho que é preciso falar com as pessoas com grande humildade, não como se tivessem que nos pagar uma dívida e não tratá-las como se fossem cães.

Muitos se perguntam se é justo dar esmola às pessoas que pedem ajuda nas ruas. O que o senhor responde?

Existem muitos argumentos para se justificar quando não se dá esmola. "Mas como! Eu dou dinheiro, e depois ele gasta para beber um copo de vinho?". Um copo de vinho é a única felicidade que ele tem na vida. Está bem assim. Pergunte-se, ao contrário, o que você faz às escondidas. Que "felicidade" você busca às escondidas? Ou, ao contrário dele, você é mais sortudo, tem uma casa, uma esposa, filhos. O que o leva a dizer: "Cuidem vocês dele"? Uma ajuda é sempre justa. É claro, não é bom jogar somente uns trocados ao pobre. É importante o gesto, ajudar quem pede olhando-o nos olhos e tocando as suas mãos. Jogar o dinheiro e não olhar nos olhos não são um gesto cristão. Como se pode educar à esmola?

Eu conto uma anedota de uma senhora que eu conheci em Buenos Aires, mãe de cinco filhos (naquele tempo, ela tinha três). O pai estava trabalhando, e eles estavam almoçando. Ouvem bater na porta. O filho mais velho vai abrir: "Mamãe, tem um homem que pede comida. O que fazemos?". Todos os três, a menor tinha quatro anos, estavam comendo um bife à milanesa. A mãe lhes disse: "Bem, cortemos a metade do nosso bife". "Não, mamãe, tem outro bife", disse a menina. "É para o papai, para esta noite. Se devemos doar, devemos dar o nosso bife." Com poucas palavras simples, eles aprenderam que se deve doar daquilo que é próprio, daquilo de que você nunca gostaria de se separar. Duas semanas depois, a mesma senhora foi à cidade para resolver algumas questões e foi obrigada a deixar as crianças em casa. Elas tinham o tema de casa para fazer, e deixou-lhes o lanche já pronto. Quando voltou, encontrou os três filhos na companhia de um sem-teto à mesa, comendo o lanche. Elas tinham aprendido muito bem e muito rápido. Certamente, tinha lhes faltado um pouco de prudência... Ensinar à caridade não é descarregar as próprias culpas, mas é tocar, olhar para uma miséria que eu tenho dentro e que o Senhor compreende e salva. Porque todos nós temos misérias dentro.

Várias vezes, o papa se inclinou em defesa dos migrantes, convidando à acolhida e à caridade. Milão, nesse sentido, é uma capital da acolhida. Mas muitos perguntam se realmente é preciso acolher a todos, indistintamente, ou se é necessário pôr limites.

Aqueles que chegam à Europa escapam da guerra ou da fome. E nós somos culpados, de algum modo, porque exploramos as suas terras, mas não fazemos nenhum tipo de investimento para que eles possam ter benefícios. Eles têm o direito de emigrar e têm o direito de serem acolhidos e ajudados. Isso, porém, deve ser feito com aquela virtude cristã que é a virtude que deveria ser própria dos governantes, isto é, a prudência. O que significa? Significa acolher a todos aqueles que "podem" ser acolhidos. E isso no que diz respeito aos números. Mas é igualmente importante uma reflexão sobre "como" acolher. Porque acolher significa integrar. Isso é o mais difícil, porque, se os migrantes não são integrados, eles são "guetizados". Trago sempre na memória do episódio de Zaventem [o atentado no aeroporto de Bruxelas no dia 22 de março de 2016]. Aqueles jovens eram belgas, filhos de migrantes, mas moravam em um bairro que era um gueto.

E o que significa integrar? Também neste caso dou um exemplo: de Lesbos, vieram comigo para a Itália 13 pessoas. No segundo dia de permanência, graças à Comunidade de Santo Egídio, as crianças já frequentavam as escolas. Depois, em pouco tempo, encontraram onde se alojar, os adultos se esforçaram para frequentar cursos para aprender a língua italiana e para procurar algum trabalho. Certamente, para as crianças, é mais fácil: elas vão à escola e, em poucos meses, já sabem falar o italiano melhor do que eu. Os homens buscaram um trabalho e o encontraram. Integrar, então, significa entrar na vida do país, respeitar a lei do país, respeitar a cultura do país, mas também fazer respeitar a própria cultura e as próprias riquezas culturais. A integração é um trabalho muito difícil.

Nos tempos das ditaduras militares em Buenos Aires, olhávamos para a Suécia como um exemplo positivo. Os suecos, hoje, são nove milhões, mas, destes, 890 mil são novos suecos, isto é, migrantes ou filhos de migrantes integrados. A ministra da Cultura, Alice Bah Kuhnke, é filha de uma mulher sueca e de um homem proveniente do Gâmbia. Este é um belo exemplo de integração. Certamente, agora, também na Suécia encontram-se em dificuldades: eles têm muitos pedidos e estão tentando entender o que fazer, porque não tem lugar para todos. Receber, acolher, consolar e logo integrar. O que falta é justamente a integração. Cada país, então, deve ver qual número é capaz de acolher. Não se pode acolher se não há possibilidade de integração.

Na história da sua família, há a travessia do oceano por parte do seu avô e da sua avó, com o seu pai. Como é crescer como filho de imigrantes? O senhor já se sentiu um pouco desenraizado?

Nunca me senti desenraizado. Na Argentina, somos todos migrantes. Por isso, lá, o diálogo inter-religioso é a norma. Na escola, havia judeus que chegavam na maior parte da Rússia e muçulmanos sírios e libaneses, ou turcos com o passaporte do Império Otomano. Havia muita fraternidade. No país, há um número limitado de indígenas. A maioria da população é de origem italiana, espanhola, polonesa, médio-oriental, russa, alemã, croata, eslovena. Nos anos entre os dois séculos anteriores, o fenômeno migratório foi enorme. O meu pai tinha cerca de 20 anos quando chegou à Argentina e trabalhava no Banco da Itália, e se casou lá.

O que o senhor mais sente falta de Buenos Aires? Dos amigos, das visitas às villas miseria, do futebol?

Há apenas uma coisa de que eu sinto muito falta: a possibilidade de sair e andar pela rua. Eu gosto de visitar as paróquias e encontrar as pessoas. Não tenho uma nostalgia em particular. Vou lhes contar outra anedota: os meus avós e o meu pai deveriam ter partido no fim de 1928, tinham o bilhete para o navio "Princesa Mafalda", navio que afundou nas costas do Brasil. Mas não conseguiram vender em tempo aquilo que possuíam e, assim, mudaram o bilhete e embarcaram no "Giulio Cesare" no dia 1º de fevereiro de 1929. Por isso, estou aqui.

Milão está pronta para acolher o senhor no fim do mês de março. Comecemos pelas organizações de caridade, pelas associações de voluntariado, por aqueles que se preocupam em dar aos sem-teto um lugar para passar a noite, comida, assistência sanitária, oportunidades de resgate. Em Milão, orgulhamo-nos de conseguir fazer isso, e muito bem. É suficiente? Quais são as necessidades daqueles que acabaram nas ruas?

Assim como para os migrantes, muito simplesmente essas pessoas precisam da mesma coisa: ou seja, integração. Certamente, não é simples integrar uma pessoa que não tem casa, porque cada uma delas tem uma história particular. Por isso, é preciso se aproximar de cada um delas, encontrar o modo de ajudá-las e dar-lhes uma mão.

O senhor repete muitas vezes que os pobres podem mudar o mundo. Mas é difícil que exista solidariedade onde existe pobreza e miséria, como nas periferias das cidades. O que o senhor acha?

Também aqui eu relato a minha experiência de Buenos Aires. Nas favelas, há mais solidariedade do que nos bairros do centro. Nas villas miseria, há muitos problemas, mas muitas vezes os pobres são os mais solidários entre si, porque sentem que precisam uns dos outros. Eu encontrei mais egoísmo em outros bairros, não quero dizer ricos, porque seria qualificar desqualificando, mas a solidariedade que se vê nos bairros pobres e nas favelas não se vê em outros lugares, embora a vida ali seja mais complicada e difícil. Nas favelas, por exemplo, vê-se mais a droga, mas só porque nos outros bairros ela está mais "encoberta" e é usada com luvas brancas.

Recentemente, procuramos ler a cidade de Milão de forma diferente, partindo dos últimos e das ruas, e com os olhos das pessoas sem-teto que frequentam um centro diurno da Cáritas Ambrosiana. Com elas, publicamos um guia da cidade, vista a partir da rua, do ponto de vista de quem a vive todos os dias. Santo Padre, o que o senhor conhece da cidade e o que espera da sua iminente visita?

Eu não conheço Milão. Estive lá apenas uma vez, por poucas horas, nos distantes anos 1970. Eu tinha algumas horas livres antes de pegar um trem para Turim e aproveitei para fazer uma breve visita à catedral. Em outra ocasião, com a minha família, estive um domingo para almoçar na casa de uma prima que morava em Cassina de' Pecchi. Eu não conheço Milão, mas tenho um grande desejo. Espero encontrar muita gente. Esta é a minha maior expectativa: sim, espero encontrar muita gente.


América Latina. “O progressismo afastou-se das ideias iniciais da esquerda”. Entrevista com Eduardo Gudynas


Eduardo Gudynas, especialista em temas relacionados ao meio ambiente e desenvolvimento, considera que os governos progressistas da região caíram na armadilha do desenvolvimentismo, que destrói a natureza.

Nesta entrevista, Gudynas analisa o processo eleitoral no Equador e reflete por que o correísmo não conseguiu a vitória no primeiro turno e por que as comunidades indígenas afetadas pela exploração do petróleo e da mineração lhe deram as costas e optaram pela direita.

O analista está familiarizado com a realidade boliviana. Seus últimos livros são: Extrativismo, um modo de entender o desenvolvimento e a natureza, publicado por CEDIB, e Direitos da Natureza, por Plural.

Nesse contexto, faz uma leitura da Bolívia e assinala que, no passado, era a esquerda quem promovia os referendos e outras formas de democracia consultiva; hoje, os progressismos nos governos procuram desestimulá-los.

A entrevista é de Juan Carlos Véliz M. e publicada por Página Siete, 28-02-2017. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Por que o correísmo não conseguiu ganhar no primeiro turno?

Pecou-se por autossuficiência, assumindo que teriam uma grande maioria e que a oposição seria minúscula. Mais do que se equivocar, foram cegos.

De qualquer forma, o candidato apoiado por Rafael Correa conseguiu uma boa votação: 39%. Nisso operou todo o apoio do Estado, a publicidade em massa, a cooperação dos grupos econômicos beneficiados pelo correísmo e os militantes que, sinceramente, compartilham suas ideias. A oposição conservadora, embora dividida em duas opções, e a esquerda plural conseguiram subtrair-lhe os votos necessários para evitar uma vitória já no primeiro turno.

O que significam para o Equador e a região os resultados das recentes eleições?

São muito importantes para entender a dinâmica dos progressismos. Se compararmos com a Argentina, ali o progressismo kirchnerista perdeu a eleição presidencial e teve uma má votação. No Equador, ao contrário, tiveram uma boa votação e mantém a maioria parlamentar. Mas, da mesma maneira que na Argentina, deixa o país dividido, com confrontos muito duros, nervosos, irritados e que constantemente são incentivados pelo próprio Presidente.

Se compararmos com a Bolívia, o caso do Equador exemplifica que pode haver renovação sem se cair em reeleições presidenciais indefinidamente. Mas, assemelham-se pelo fato de que os progressismos se afastam e acabam entrando em confronto com muitos setores sindicais ou indígenas.

O que está acontecendo com os governos progressistas na região? Bateram no teto?

No meu modo de ver, o progressismo está esgotado, mas não é seu fim. Não compartilho os diagnósticos de vários analistas que falam do fim do progressismo, porque muitos só veem o que acontece no Brasil, onde a presidenta Dilma sofreu um impeachment, ou na Argentina, como se os outros países não existissem.

O progressismo, por enquanto, continua no poder na Bolívia, no Equador e no Uruguai, com certa estabilidade. Mas está esgotado no sentido de que já não produz novidades políticas, afastou-se das ideias iniciais de esquerda ao tornar-se cada vez mais obcecado pelo desenvolvimentismo baseado em extrativismos e ao manter-se no palácio de Governo a qualquer preço.

Não dialoga, não escuta. Sofre denúncias de corrupção em todos os países. Não duvida em atacar indígenas, camponeses ou diversos movimentos sociais quando esses os questionam.

Isso explica em parte o triste caso do progressismo de Maduro na Venezuela, que se aferra ao poder, mesmo que dia após dia aprofunda a crise.

Uma análise recente assinala que os indígenas nas regiões atingidas por projetos hidrocarboríferos votaram contra Lenin Moreno. O que está acontecendo com as bases da esquerda que não se mantêm leais e optam pela direita?

A análise das eleições mostra que quase todas as regiões onde se está promovendo a mineração ou os hidrocarbonetos votaram contra Moreno.

É, especialmente, um voto de castigo contra Correa. Não passa despercebido que pouco tempo atrás diversas comunidades indígenas amazônicas começaram a reagir por causa da invasão de seus territórios por empresas de mineração, sobretudo uma de capital chinês.

Houve tumultos e outra vez se caiu na violência para impor o extrativismo. O Governo militarizou a região e judicializou líderes indígenas.

Este é, justamente, um exemplo de um progressismo que não sabe ouvir. Mostra, além disso, que não acreditam em toda essa publicidade de que a mineração ou os poços de petróleo trazem bem-estar local ou que se compensará os moradores com bônus em dinheiro.

Mas, o chamativo é que esses grupos locais estão tão zangados com os progressismos que se voltaram para os candidatos da direita, embora tradicionalmente muitos apoiassem a esquerda ou o partido indígena.

É como se eles não quisessem correr riscos com a esquerda e quisessem garantir uma mudança radical que só veem como possível com a direita. Este processo é preocupante, e vimos expressões similares em outros países andinos.

As táticas progressistas de imposição dos extrativismos estão provocando reações políticas que, em última análise, alimentam as alternativas conservadoras. E o mais triste é que esses conservadores também serão extrativistas, embora de outra maneira, como acontece agora na Argentina com o governo Macri.

Por que os governos chamados progressistas já não seduzem mais?

Os progressismos, em suas práticas reais e não nos discursos publicitários, caíram na armadilha do desenvolvimentismo que explora a natureza e os territórios e em acreditar que o bem-estar era mais consumo. Para manter-se no poder, eles atacaram a esquerda chamando-a, por exemplo, de esquerda descafeinada ou assediaram ou tentaram cooptar as organizações de base, reduzindo suas autonomias. Então, o progressismo impede renovações na esquerda, e isso faz com que já não seja mais sedutor. O livre pensamento e a crítica, tão necessários para a renovação, são atacados como traição.

Como você vê o caso boliviano? O presidente Morales quer uma nova reeleição, embora essa porta tenha sido fechada pelo "não" de um referendo, e agora culpa a mentira.

A situação da Bolívia é comovente, um país e que gosto tanto, já que seu progressismo está repetindo muitos dos erros cometidos nos países vizinhos. Sem dúvida, a primeira coisa a se respeitar é o marco legal, ter um senso republicano e isso implica em aceitar os referendos.

Esse foi o grande aprendizado da esquerda no Cone Sul. Por exemplo, a esquerda do Uruguai ganhou assim como perdeu referendos, mas, acima de tudo, ao aceitar os resultados demonstrou maturidade e isso lhe permitiu crescer ainda mais.

No passado, a esquerda promovia os referendos e outras formas de democracia consultiva; hoje, são os progressismos no governo que procuram desestimulá-los.